Democratas dizem que Rússia faz campanha de desinformação contra oposição de Trump nas midterms

Donald Trump e Vladimir Putin.
Kevin Lamarque/Reuters
Os principais parlamentares democratas dos comitês de inteligência do Congresso dos Estados Unidos afirmaram nesta quarta-feira (21) que receberam informações de que a Rússia está conduzindo uma campanha de desinformação contra candidatos democratas nas eleições legislativas de meio de mandato – as midterms.
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➡️ As midterms, previstas para ocorrer em 3 de novembro, são eleições legislativas de meio de mandato que renovarão toda a Câmara dos Deputados e um terço do Senado norte-americano, além de 36 cargos de governador estadual nos EUA. Leia mais sobre essas eleições aqui.
As declarações foram feitas pelo senador Mark Warner e pelo deputado Jim Himes, após uma reunião informativa sobre segurança eleitoral solicitada por eles ao diretor de Inteligência Nacional, Jay Clayton.
Os parlamentares disseram que não poderiam revelar detalhes do material porque as informações são confidenciais.
Segundo os dois, a campanha russa segue o mesmo padrão de operações de desinformação on-line identificadas pela comunidade de inteligência americana nas eleições de 2016, 2020 e 2024.
“A situação atual, eu diria, é que a Rússia, assim como em ocasiões anteriores, está mirando os democratas”, afirmou Warner.
O senador citou reportagens segundo as quais o democrata James Talarico, candidato ao Senado pelo Texas, e o senador Jon Ossoff, que busca a reeleição pela Geórgia, estão entre os alvos de anúncios falsos criados com inteligência artificial.
A Casa Branca e o Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional não responderam imediatamente a pedidos de comentário. A embaixada russa também não se manifestou. Moscou já negou anteriormente interferir nas eleições americanas.
Agora no g1
Parlamentares citam possíveis ações da China
Himes afirmou que não poderia detalhar a desinformação atribuída à Rússia, mas disse que a atuação de Moscou segue um padrão conhecido.
“Os russos estão meio que jogando tudo na mesa”, declarou. “Caos, sabe, não confie nas suas máquinas de votação”.
O deputado também disse que não havia motivo para acreditar que a China não estivesse realizando esforços direcionados para influenciar os eleitores, como já teria feito no passado.
Pequim já negou interferência nas eleições dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, a Embaixada da China em Washington classificou a declaração de Himes como “uma acusação falsa e uma difamação grave que há muito tempo já foi comprovada como infundada”.
Preocupação com contestação dos resultados
Midterms – Eleitora preenche cédula de votação em Harrisburg, na Pensilvânia (EUA)
REUTERS/Mike Segar
Os parlamentares disseram estar preocupados com a possibilidade de o presidente Donald Trump tentar contestar os resultados das eleições, inclusive por meio de alegações de ataques cibernéticos estrangeiros à infraestrutura de votação.
A preocupação se soma ao temor de autoridades de segurança dos Estados Unidos de interferência do atual presidente nas eleições.
Esse movimento decorre de um temor gerado por falas cada vez mais inflamatórias e de tom autoritário feitas por Trump sobre o pleito. Em comícios e pronunciamentos nas últimas semanas, o presidente norte-americano:
disse que “os EUA vão queimar como a França” caso os democratas saiam vencedores do pleito;
prometeu US$ 5 mil para cada cidadão caso seu partido, o republicano, mantenha o controle do Congresso após a eleição;
afirmou que o sistema de votação está fraudado;Himes ressaltou, porém, que não há evidências de que qualquer país consiga invadir os sistemas eleitorais americanos e alterar os resultados.
“Nada indica que exista sequer a capacidade ou a intenção de interferir dessa forma, enquanto há um ambiente de influência bastante robusto”, afirmou.
Pesquisas recentes da Reuters/Ipsos indicaram que os democratas estão à frente dos republicanos na preferência genérica para o Congresso, com uma vantagem nacional de vários pontos percentuais. O resultado reforça as expectativas do partido de recuperar o controle da Câmara dos Representantes e, possivelmente, do Senado.

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